Seu time de futebol arruinou a gestão da sua Advocacia!
Ontem (08/02) foi dia de Superbowl, a grande final do futebol americano. Com o final da temporada os times que chegaram aos playoffs começam a pensar em ajustes. Para aqueles que ficaram nas últimas posições do ranking geral abre-se a janela de reestruturações profundas visando a temporada seguinte. E justamente nessa época acontece a “dança das cadeiras” nas comissões técnicas de muitas franquias. A janela de troca de jogadores acontece depois do DraftDay, em maio.
Aqui é um ponto de destaque nesse texto, pois esse movimento acontece de forma muito diferente do que vemos no futebol brasileiro. Nós estamos acostumados a ver um comportamento bizarro de times trocarem a comissão técnica 2 ou 3 vezes por ano. O técnico é meramente um bode expiatório para ser culpado quando as coisas vão mal (dentro e fora de campo).
Isso é tão irresponsável quanto infantil! Mostra o quanto os clubes de futebol brasileiros (salvo raras exceções) são imaturos no que diz respeito a planejamento e gestão. E o pior: uma vez que o futebol tem imensa visibilidade, esse comportamento acaba sendo mimetizado por empreendedores e gestores de empresas que não possuem formação em administração.
Mas qual a grande diferença em relação à NFL, NBA e NHL? Lá os times/franquias são empresas auditadas pelas respectivas ligas e consequentemente possuem elevada maturidade em planejamento e visão de longo prazo. Por exemplo, este ano vimos a demissão de 3 técnicos longevos em seus times:
• Sean McDermott – 9 anos no Bufalo Bills,
• John Harbaugh – 16 anos no Baltimore Reavens,
• Mike Tomlin – 19 anos no Pitsburg Steelers,
e num passado recente ainda tivemos as saídas de Pete Carroll – 13 anos no Seattle Seahawks e Bill Belichick – 23 anos no New England Patriots.
Usei essa abordagem pelo futebol americano (mas também poderia ser pelo basquete da NBA ou hóquei da NHL) para falar contigo sobre GESTÃO. Mais especificamente nesse artigo quero te mostrar três decisões importantíssimas no planejamento e gerenciamento de um escritório de Advocacia: consistência, persistência e desistência.
• Consistência
No dicionário consistência significa homogeneidade, coerência, firmeza, resistência. Embora a principal aplicação de consistência seja nas rotinas do dia-a-dia, na verdade ela começa bem antes: no planejamento estratégico. Afinal é esse instrumento quem direciona ONDE o escritório quer chegar e COMO vai chegar. O planejamento norteia boa parte das atividades dentro do escritório. Claro que também existem as tarefas cotidianas cuja consistência depende de fluxos operacionais organizados pela Gestão de Processos (BPM). Mas mesmo esses processos são pré-definidos em um Planejamento.
• Persistência
Este é um termo romantizado pelo empreendedorismo e isso é perigoso. Porque insistir nos esforços apenas por motivos de orgulho – ao invés de baseado em dados e fatos – eleva sobremaneira as probabilidades de fracasso. Uma empresa tem que ser gerenciada a partir de números (de metas e de resultados), jamais por “instintos”. Na prática isso significa que os indicadores de desempenho e os resultados trimestrais é que devem determinar o investimento de recursos humanos, financeiros, tecnológicos e de tempo. Ou seja, devem determinar quando e quanto persistir.
• Desistência
Se a persistência é romantizada, logo sua antítese normalmente é vista como fraqueza. Outra percepção muito falaciosa. Saber a hora de desistir diante das intempéries do mercado é tão importante quanto continuar a persistir quando o objetivo é viável. Os mesmos indicadores de desempenho e resultados trimestrais podem demonstrar que determinado projeto ou modelo de negócio é inviável. Seth Godin, no livro “O Melhor do Mundo” mostra que nesses casos o correto a se fazer é desistir antes de queimar mais tempo e dinheiro. No método Lean existe também a opção de pivotar, mas é um assunto mais complexo para tratar aqui.
O interessante é como esses três conceitos estão intimamente conectados. Um Planejamento Estratégico bem elaborado e uma boa Gestão das rotinas, processos e projetos promove a consistência necessária para, quando surgirem dificuldades, saber identificar exatamente quando persistir ou desistir.
Aqueles times da NFL que persistiram por anos e anos com o mesmo técnico estavam praticando exatamente isso. A consistência não é ser campeão todo ano, essa é a visão infantilizada dos clubes brasileiros. A consistência no futebol americano (ou no basquete ou no hóquei) se dá em diversos aspectos como ter campanhas positivas (mais vitórias do que derrotas), manter talentos, passar para os playoffs, conquistar títulos de Divisão e de Conferência. Todos esses indicadores remetem a maior faturamento na temporada. E melhoram a saúde financeira das franquias possibilitando investimentos para o ano seguinte. Enquanto muitos times brasileiros são envoltos em caos e corrupção, franquias de futebol americano, basquete e hóquei são empresas muitíssimo bem gerenciadas.
O que significa consistência na Advocacia?
Escritórios de Advocacia também são empresas e da mesma necessitam de consistência. Essa gestão bem direcionada e executada permite tocar o cotidiano do escritório blilndado das turbulências do mercado. A mesma gestão identifica quando persistir ou quando desistir de alguma área de atuação, algum tipo de ação, algum perfil de cliente ou modelo de negócio.
A Advocacia possui uma particularidade (e um desafio de gestão) que não existe em nenhum outro tipo de empresa. Muitos Advogados atuam no contencioso sem cobrança de honorários iniciais, trabalham meses (ou anos) sem ter certeza se o processo terá êxito e, após o trânsito em julgado (a depender do tipo de ação), ainda podem levar mais alguns meses (ou anos) para receber os honorários.
Esses escritórios precisam de uma gestão financeira apuradíssima para obter consistência. Caso contrário podem estar acelerando às cegas rumo à falência. Por isso é tão importante um Planejamento Estratégico provido de KPIs para demonstrar dados e fatos que direcionem para a persistência ou desistência.
7 Etapas Macro para ter uma gestão jurídica profissional
• Definir o Modelo de Negócio da sua Advocacia
• Desenhar o fluxograma operacional de todos os setores do escritório
• Criar os POPs e RCCs destes fluxos
• Elaborar o Planejamento Estratégico anual
• Acompanhar os indicadores e objetivos definidos no PEM
• Utilizar software jurídico para todas as operações legais e paralegais
• Automatizar as tarefas operacionais repetitivas
No seu escritório existe consistência na gestão? O Planejamento Estratégico anual consegue direcionar essa consistência nas atividades rotineiras e nos projetos pontuais? E os indicadores definidos no planejamento mostram com precisão quando persistir ou desistir?
