Marketing: a crise da pandemia vai separar os profissionais dos amadores

O Marketing passou por transformações profundas nos últimos 20 anos. Posso enumerar ao menos quatro fatores importantes que forçaram essas mudanças. I- A não exigência de uma capacitação técnica permite que qualquer pessoa se aventure pelo setor. II- Cursos universitários e tecnólogos tornaram mais acessível a capacitação de novos profissionais. III- Tecnologias, plataformas e ferramentas também tornaram acessíveis os recursos necessários à execução de diversas atividades. IV- A internet consolidou as mídias digitais integrando-as no Mix de Marketing, também conhecido como 4Ps.

Foi nesse contexto que surgiu o famigerado “Marketing Digital”. O termo pegou e atualmente é repetido aos quatro cantos por empresários e por marqueteiros. Tecnicamente ele não faz sentido, já que as mídias digitais se enquadram no P de Promoção, portanto uma tática do Marketing e não uma outra disciplina. Mas isso é assunto pra outro artigo.

O fato é que essas mudanças possuem um lado bom: muito mais empresas e profissionais estão comprando e vendendo Marketing. Em se tratando de Brasil, onde ainda prevalece o sistema educacional orientado a formar operários de fábricas e onde sempre reinou a cultura do “faça você mesmo” é louvável que empreendedores e empresários estejam contratando serviços de Marketing.

Por outro lado, vemos uma enxurrada de aventureiros despreparados para a atuação em toda a amplitude do Marketing e/ou enviesados e focados em uma única expertise tática, como redes sociais, por exemplo. Na verdade só estão seguindo a premissa do “se sua única ferramenta é o martelo, todos os seus problemas serão pregos”.  E não nos esqueçamos dos gurus auto intitulados que se vangloriam de suas fórmulas mágicas.

Esses aventureiros se proliferaram basicamente sob duas condições: a) o mercado que compra Marketing ainda é imaturo, não entende o que está comprando, daí eventualmente compra gato por lebre; b) em um período de crescimento onde tudo é novidade e os recursos e as informações são baratos, é fácil obter algum sucesso. Há dez anos, bastava publicar qualquer campanha capenga e mesmo assim ela rendia bons resultados. Mas o almoço grátis acabou.

 

O que muda para o Marketing com a crise?

Se os aventureiros de conhecimento raso conseguiam nadar de braçada nos tempos de fartura, como fica agora que praticamente todos os negócios estão em dificuldades. Como fica agora que as ferramentas e tecnologias se profissionalizaram e ficaram complexas? Como fica agora que a Transformação Digital impôs o uso de dados em todas as operações do negócio? Nesse momento existem dois tipos de empresas: a) a minoria que tinha fôlego financeiro pra aguentar mais de três meses com resultados muito baixos e b) todas as demais que estão sofrendo devido à quarentena. Não importa em qual das duas situações estejam, empresários e gestores precisam reinventar seus negócios urgentemente!

Diante dessa situação caótica, não vai ser uma campanha de postagens bacaninhas no Instagram que salvará a empresa. Não vai ser um influencer descolado que trará as vendas de volta. Nada contra essas táticas em si, mas isoladamente como muitos praticam, elas são totalmente ineficazes.

Para ajudar as empresas a buscar inovações, pivotagens ou estratégias  orientadas a resultados é necessário conhecimento profundo de Marketing e Negócios, bem como experiência comprovada em elaborar planejamentos estratégicos e propostas de valor. Mais ainda, é imprescindível ter a mentalidade digital e familiaridade com o uso de dados para tomada de decisão. Nas ligas de esportes estadunidenses como o basquete e futebol americano, eles dizem que os playoffs separam os homens das crianças. Pois bem, as crises econômicas separam os profissionais dos aventureiros.

Marketing: a crise da pandemia vai separar os profissionais dos amadores