“Falem mal, mas falem de mim” – Isso é bom?
Essa frase é bastante polêmica e já foi muito utilizada por políticos, atores e pessoas públicas em geral. No caso de algumas celebridades específicas, esta técnica de se manter na mídia até que funciona, mas é sempre muito arriscada. É muito difícil prever se a exposição negativa irá atingir segmentos mais conservadores e deteriorar a imagem da pessoa a ponto de ela ser excluída da mídia.
Um dos assuntos mais comentados desta semana foi o lançamento da nova campanha publicitária da cerveja Devassa tendo como garota-propaganda a cantora Sandy. À primeira vista é fácil identificar um forte antagonismo entre a cantora, que sempre foi associada à ingenuidade, enquanto a marca de cerveja sempre teve um posicionamento ousado. Defensores da campanha provavelmente irão dizer que criar polêmica foi proposital, que é a personalidade da marca, etc.
Gerou polêmica, sim. Gerou buzz, sim. O Twitter bombou com o #Sandyfacts, sim. Mas tudo extremamente negativo. Os comentários postados no microblog inicialmente estavam engraçados, mas não demorou para cair na baixaria total. A primeira conclusão a que se chega é que a campanha gerou péssima repercussão para a imagem da Sandy. O que se agregou para a imagem da marca é questionável, já que associaram a cerveja com uma personagem totalmente fora do conceito e sem apelo de consumo.
Em função das novas mídias digitais, o Marketing vem passando por profundas transformações. Muitas marcas recorrem às estratégias do Marketing de Guerrilha ou Marketing Viral com o intuito de gerar repercussão na mídia e promover seus produtos de formas diferenciadas. Existem muitos cases realmente bons que promoveram bem a marca em questão de algumas horas. O outro lado dessa moeda – a velocidade das mídias digitais – é que fica impossível frear a repercussão quando ela se torna negativa.
O tempo irá dizer se e a imagem da cantora Sandy ficará manchada após o @Sandyfacts, ou se a cerveja Devassa irá perder consumidores devido à associação de seu produto com uma garota-propaganda fora de contexto. Mas fica a lição de que a ousadia tem um limite muito tênue com o desastre. E isso, em mercados concorridos e agressivos, pode ser letal para a marca.



