jan 18

A chamada guerra de audiência entre a TV e a internet é um tema que vem sendo discutido intensamente em função dos grandes montantes de dinheiro envolvidos e das grandes mudanças de paradigma que envolvem a comunicação, a informação e o entretenimento nesta era digital. Antes de analisar melhor este assunto é fundamental aplicar um filtro que elimine certos mitos que contaminam as discussões e tiram o foco da verdadeira realidade.

Primeiramente deve-se levar em conta que muitos veículos fomentam uma verdadeira batalha explorando este assunto através de matérias polêmicas e sensacionalistas a fim de “vender” mais notícias. Este é um artifício comum da área jornalística, entretanto cria-se uma névoa expessa que encobre os fatos e análises racionais, impedindo o entendimento da realidade.

Apimentando um pouco mais esta situação irreal, existe um grande medo, provocado por esta suposta guerra, que assombra as empresas de broadcast: o medo de serem derrubadas pelas mídias digitais. Obviamente isso demonstra o despreparo e a falta de visão de profissionais que estão no meio televisivo por aventura e não entendem a fundo os alicerces desta poderosa indústria. Daí as tentativas constantes de criar uma imagem negativa em torno da internet, mostrando-a como um ambiente repleto de pedófilos e bandidos tentanto invadir suas contas bancárias.

Isso tudo leva ao mito da sobreposição de tecnologias e mídias. Analisando a história é fácil constatar que a fotografia não matou a pintura, o cinema não matou o teatro, a TV não matou o rádio e a internet também não matou e nem vai matar nenhuma destas mídias. A história já demonstrou que as mídias anteriores podem sofrer alguma mutação e conseqüente maturação, mas não são exterminadas.

Filtrados os mitos, vamos analisar a situação dos conceitos e tecnologias mais importantes que circundam esta discussão. Primeiramente temos os dispositivos móveis (smartphones e tablets) que já se consolidaram como mídias e provém acesso a informação, comunicação e entretenimento à milhões de usuários diariamente. Os aplicativos mobile transformaram profundamente o modo com as pessoas consomem estes conteúdos e ainda está por trazer mais mudanças assim que as bandas de dados forem mais acessíveis e estáveis, principalmente em países emergentes. Some-se nesta conta as SmartTV que em 2012 vão entrar no mercado com força total, possibilitando acesso direto à web.

Muito mais importante do que a já citada guerra de audiência, estas duas tecnologias juntas vão provocar uma fusão entre a internet e a TV, fazendo que com muitos conceitos desta segunda mídia passem por revisões em suas estruturas mais básicas de funcionamento.

Até aqui podia-se afirmar que a internet era apenas um eco das mídias eletrônicas e isso se comprovava facilmente pelos assuntos mais populares pesquisados na web. Entretanto os relatórios do Google Zeitgeist de 2011 a respeito dos termos pesquisados de maior crescimento demonstram uma situação que parece marcar um ponto de virada. Repare no ranking ao lado que apenas 5 dos 10 termos mais pesquisados referem-se à conteúdos exclusivos de broadcast. Os outros 50%. São pesquisas de conteúdos que são consumidos diretamente pela web.

Seria fácil afirmar que daqui em diante esta curva se inverte, predominando a pesquisa por conteúdos consumidos via internet. Porém não é tão simples assim, já que muito conteúdo será consumido através dispositivos móveis, sem passar pela web ou TV e um volume de conteúdo cada vez maior será consumido pela web utilizando-se o aparelho de TV.

O futuro dessa situação não está numa sobreposição de mídias, mas sim na fusão destas três plataformas (TV, internet e mobile). Estas duas últimas ainda estão em fase de transformação e maturação, portanto ainda irão criar impactos difíceis de prever. Já  TV terá de repensar a forma como oferece os conteúdos de notícias, eventos e enlatados, PIS o modelo atual está mais do que ultrapassado.

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