Microsoft compra Skype. Isso é bom ou ruim?
Nos idos de 1997 haviam dois grandes players no segmento de serviços de webmail: o Yahoo e o Hotmail, sendo que este segundo era disparado o maior expoente, com diversas inovações e facilidades para o usuário. Nesta mesma época a Microsoft dava “tiros para todos os lados” em matéria de serviços para internet com o objetivo de se firmar neste terreno ainda inexplorado. Foi com essa gana que a Microsoft comprou o Hotmail e o integrou ao seu pacote de serviços que, depois de alguns nomes, viria a ser batizado de Live.
Durante alguns anos o serviço de webmail e suas benfeitorias contínuas sempre foi uma das principais armas para as empresas conquistarem e manterem usuários. Mesmo assim, após 14 anos nas mãos da Microsoft, atualmente o Hotmail não passa de um esboço mal acabado quando comparado ao seu principal concorrente, o GMail.
De volta para 2011, vivemos uma época de enormes mudanças de paradigmas, entre elas a da telefonia, que já se desmembrou com os dispositivos móveis e agora vai migrando para a tecnologia VOIP. Nessa guerra entram as grandes operadoras de telefonia e todas as grandes empresas que desenvolvem aplicações para plataformas e dispositivos móveis. Frente a tudo isso, é desnecessário dizer que qualquer ferramenta de VOIP presente no mercado atual é uma poderosa arma contra a concorrência.
O Skype nasceu em 2003 e passou por algumas mudanças sutis ao longo do tempo, entretanto sempre foi um serviço de ótima qualidade (apesar de gratuito), confiável e transparente. Praticamente uma utopia num universo explorado por operadoras vorazes por lucros cada vez maiores. Em 2005 o Skype foi comprado pelo eBay, mas o ritmo de inovações no serviço continuou lento. Com a grande expansão do mercado mobile somada ao “perigo” que um serviço gratuito representa às grandes operadoras de telefonia, era questão de tempo para que os grandes players (Google, Apple, Facebook e Microsoft) logo voltassem seus olhares para o tímido Skype.
Quem levou foi a Microsoft e agora fica no ar a dúvida: o que será feito do Skype? A história nos mostra que a Microsoft costuma desprezar e “deixar morrer” muitas de suas aquisições. Foi assim com o HotMail, com a Real Audio, com o NetMeeting, com a ComCast, com o FrontPage…
Num cenário tão aquecido como o de telefonia, é provável que a Microsoft realmente se interesse em potencializar o uso do Skype em seus serviços on-line. O problema aí seria do choque de culturas: o Skype foi bem sucedido por ser um software livre e sua comunidade dificilmente vai migrar para os aplicativos da Microsoft.
A luz no fim do túnel pode ser o impacto que esta aquisição vai causar no mercado de telefonia móvel. Por conta do grande potencial que a tecnologia VOIP representa no universo mobile, existe uma grande probabilidade de que Apple e Google acelerem seus investimentos nessa área. Dessa forma, mesmo que a Microsoft deprecie o Skype, outras boas alternativas poderão surgir pelas mãos de seus concorrentes diretos.



